Manual do pai de primeira viagem
O homem é de extrema importância no desenvolvimento do bebê, antes e depois do parto. O empresário Edmar Esteves Neto, 41 anos, pai do Felippe, 4 meses, preparou um guia para quem estréia nesse papel, que de secundário não tem nada.
Depois do nascimento
Por Edmar Esteves Neto
1) Como trocar a fralda?
O pai pode ter uma participação ativa nos cuidados do filho recém-nascido. Trocar a fralda é uma ótima maneira de estabelecer laços com o bebê. E, posso garantir, não é muito difícil. Confira: - Tenha em mãos água morna, maços de algodão e, se o pediatra indicar, pomada contra assaduras. - Deite o bebê de costas em um trocador (ou cama), solte a fralda sem retirá-la da criança e segure os pés do seu filho com uma das mãos. - Com a outra, molhe o algodão na água e comece a limpeza delicadamente, sempre da frente para trás, principalmente em meninas, para evitar que as bactérias do intestino migrem para a vagina. - Não deixe de passar o algodão em cada dobrinha. - Retire a fralda suja e seque bem a pele da criança para evitar assaduras. - Coloque a fralda nova por baixo do bebê, passe a pomada contra assaduras e depois feche (as fraldas descartáveis são anatômicas e, presas com fitas adesivas, não têm segredos). - Importante: nunca deixe o bebê sozinho no trocador, nem por um segundo, para evitar acidentes. - Ah, prepare-se para receber vez por outra jatos de xixi na cara: os meninos escolhem a hora certa de fazer isso...
2) Como preparar e dar banho?
Esse é outro momento de intimidade entre pai e filho. Em casa, na primeira semana, eu era o responsável oficial pelo banho do bebê. Não é difícil, mas existe uma técnica. Lembro-me de fotografar o passo-a-passo do banho do bebê na maternidade para não esquecer como deveria fazer em casa. Veja como é simples:
- Antes de começar o ritual: providencie álcool a 70%, maços de algodão, cotonete, uma banheira infantil com água morna, xampu ou sabonete próprio para bebê, toalha seca e limpa, fralda, pomada contra assadura e uma muda de roupa. - A profundidade da água deve ser de até 15 cm, e a temperatura, pouco inferior a 30 ºC (use o cotovelo para verificar se não está muito quente). - Veja se o ambiente está fechado e não há corrente de ar. - Enrole o bebê na toalha, de roupa mesmo, como se fosse um charuto, e deixe só a cabeça de fora com uma sobra de pano para depois enxugar. - Apóie o corpo da criança com o antebraço e segure a cabeça com a mão, tapando os ouvidinhos dela com o polegar e o dedo médio. - Limpe primeiro os olhinhos do bebê com o algodão encharcado de água morna, fazendo um movimento de fora para dentro, sempre no sentido dos dutos lacrimais. - Molhe a cabeça do nenê com a mão livre, passe o xampu, enxágüe e depois seque bem com a toalha. - Desenrole a criança e tire a roupa dela. - Segure o bebê de barriga para cima, entrelaçando um dos ombros dele com os dedos de modo a apoiar a cabeça com o antebraço. É importante que ele esteja firme. - Coloque-o dentro da água suavemente, sem molhar a cabeça. - Use a mão livre para limpar a parte frontal (pescoço, peito, braços, barriga, genital e pernas), sempre jogando água no corpinho dele. - Depois, use a mão livre para apoiar e virar o bebê de costas para cima (sugiro pedir orientações a uma enfermeira para aprender a fazer esse movimento com segurança e treinar em casa com um boneco. Funciona!). - Limpe bem as costas e o bumbum do bebê, tomando cuidado para ele não engolir água. Divirta-se com as perninhas dele mexendo. Em geral, eles gostam mais dessa posição. - Enxágüe o bebê, erga-o da água e envolva-o na toalha. - Depois de secá-lo, acariciando bastante, use o cotonete e o álcool para limpar o umbigo, que ainda não caiu. - Por fim, coloque a fralda na criança e vista-a.
3) Como posso participar da alimentação da criança?
Nos primeiros seis meses de vida, a criança deve se alimentar exclusivamente do leite materno. Ao pai, resta apenas apoiar a mulher – seja segurando o bebê para ela descansar um pouco, seja dando suporte emocional no começo da amamentação. “É comum o bebê ter dificuldade para pegar o peito, mas uma hora ele consegue e o marido pode ajudar a companheira a manter a tranqüilidade”, diz a pediatra Ana Lúcia Figueiredo. “Deve ficar claro que não existe leite fraco e os bebês precisam mamar no peito pelo menos até os 2 anos.” Após o primeiro semestre, é possível introduzir sucos e alimentos sólidos na alimentação da criança – a partir daí, o pai pode contribuir no preparo de papinhas e afins. Tome nota destas dicas:
- Os sucos devem ser naturais e sem gelo, sempre com frutas frescas. - Além dos sucos, as papinhas de frutas amassadas são boas pedidas. - As papinhas salgadas podem ser bastante variadas, com diversos tipos de verduras e legumes cozidos. Antes de irem para a panela, devem ser bem lavados e esterilizados. - Vale a pena dar um tipo de alimento de cada vez para que o bebê reconheça os diferentes sabores e se acostume a eles. - Evite usar muito sal: quanto menos, melhor. No começo, não usávamos o tempero na preparação das papinhas e o bebê comia bem. Mas uma pitada não faz mal. - Tome cuidado também com a temperatura da comida. Sempre experimente antes de oferecer algo para a criança para verificar se não está muito quente.
4) Como decifrar o choro do bebê?
O choro é a única forma de comunicação oral que seu pequeno conhece. Procure não se irritar com os escândalos. Na verdade, a criança está querendo dizer alguma coisa. O desafio é tentar entender exatamente o quê. Com o tempo, dá para identificar os diferentes tipos de choro. Veja algumas das possibilidades:
- Fome e/ou sede: quem não chora não mama, isso ele aprende instintivamente desde que nasce. - Frauda suja: o incômodo com a presença de cocô ou xixi vai fazer com que o bebê reclame em algum momento. - Calor: muitos pais tendem a encapotar o filho com medo de o bebê pegar friagem, mas acabam sufocando a criança. - Frio: é a situação inversa. Em geral, essa sensação pode vir à tona quando o nenê vomita e molha a roupa. - Cólica: nos primeiros meses de vida, o sistema digestivo da criança precisa se adaptar a uma função que não desempenhava no útero materno e isso pode gerar desconfortos. - Dor: é facilmente perceptível e ocorre quando alguém, inadvertidamente, machuca o bebê.




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